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quarta-feira, 21 de março de 2012

Não Entendo Autora : Clarice Lispector


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.





Esta genial poetisa, nos faz refletir sobre a pequenez do ser humano e de suas ciências e filosofias, mostrando esta limitação óbvia da humanidade, que muitas vezes é negada pelos acadêmicos da ciência querendo provar que seus trabalhos podem explicar todos os fenômenos da natureza, mas perdem se em descrença por não obterem todas as respostas, por isso Clarice com suas ponderações nos traz devolta as seculares sentenças Socráticas, que mesmo dois mil anos antes de Cristo já afirmava da importância da humildade, e da aceitação da soberania de Deus sobre o homem, dizendo: Só sei que nada sei´´