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domingo, 18 de março de 2012

Fausto e Mefistófeles no eterno dilema humano...

Esta obra primorosa da literatura humana de todos os tempos, conta a estória de Dr Fausto, médico, e renomado cientista de sua época, que encontra-se desiludido com a ciência de seu tempo, pois o pensamento materialista, leva o homem a uma encrusilhada: o real encontro de sua natureza, ou a tortura da desilusão das respostas que a ciência nunca poderá responder, por isso Fausto encontra-se totalmente perdido.

Mas, com te suplantar, fatal credulidade,
que bens reais lucrei? gozo eu felicidade?
Ah! nem a de iludir-me e crer-me sábio. Sei
que finjo espalhar luz, e nunca a espalharei
que dos maus faça bons, ou torne os bons melhores;
antes faço os bons maus, e os maus inda piores.
Lucro, sequer, eu próprio? Ambiciono opulência,
e vivo pobre, quase à beira da indigência.
Cobiço distinguir-me, enobrecer-me, e vou-me
co’a vil plebe confuso, à espera em vão de um nome.
E chama-se isto vida! Os próprios cães da rua
não quereriam dar em troco desta a sua.

Como não obtem as respostas que procura, na vã ciência humana, se acha preso, e com a vida desperdiçada, pois acha que todo o seu estudo de nada vale, e que desta forma não conseguiu atingir a real felicidade.
Que masmorra que é isto! E aqui me vou gastando
neste covil infecto, abominoso, infando,
lôbrega escuridade a que o celeste dia,
prazer da terra toda, um raio a custo envia
pelos vidros de cor em treva mascarado.
Para onde quer que fuja o olhar do emparedado,
bate nesta Babel de livros bolorentos,
pastagem da polilha, informes, sonolentos,
e em rumas de papeis, do tempo denegridos,
caótico tropel de abortos esquecidos,
que trepa, galga, encobre, enluta, afeia, inunda,
a casa desde o solho à abobada profunda;
sem falar no sem-fim de drogas, pós, essências,
máquinas, que sei eu! misérias, importâncias,
que já me infundem tédio. E a isto se apelida
o meu mundo! Isto é mundo, ou esta vida é vida?

Neste momento aparece Mefistófiles, prometendo-lhe todas as respostas, e explicando-lhe que as respostas que procurava, não se encontrava no caminho que tinha decidido trilhar, se apresnta como a verdade atrás da ideação humana, querendo vender a idéia de que o bem so existe, através da existência do mal, e só através da destruição, o homem poderá atingir a criação.
Quem eu sou? Parte da força,
que, empenhada no mal, o bem promove.
Sou o espírito
que estorva sempre. E com razão, pois tudo
quanto nasceu merece aniquilado;
portanto era melhor não ter nascido.
Meu elemento é o que chamais vós outros
Destruição, Pecado, o Mal, em suma.

Neste ponto, promete Mefistófiles, desvendar todos os mistérios do mundo, e entregá-lo a verdadeira felicidade, se em troca obtive-se sua alma após a sua morte.
Obrigo-me a servi-lo em tudo e à risca
enquanto vivo for, e obedecer-lhe
aos acenos até, sem cansar nunca.
Depois, quando lá em baixo nos toparmos
trocamos os papéis.


Neste ponto Fausto exige ter para se todas as satisfações e sentimentos do mundo, para se sentir completo, mesmo que o preço que pague seja, o fim de sua alma na eterna escravidão, pois que já se sente preso em vida, PELO MENOS ACREDITA QUE VIVERÁ UMA PARTE DE SUA EXISTÊNCIA COM A VERDADE, E SEM OS LIMITES DA CONSCIÊNCIA HUMANA.
de ora em diante
às dores todas escancaro est'alma
.
As sensações da espécie humana em peso,
quero-as eu dentro de mim; seus bens, seus males
mais atrozes, mais íntimos, se entranhem
aqui onde à vontade a mente minha
os abrace, os tateie; assim me torno
eu próprio a humanidade; e se ela ao cabo
perdida for, me perderei com ela.

E Mefistófiles lhe mostra o caminho para a real satisfação que procura, que é entregar-se sem freios a total satisfação humana,  todos os prazeres, e vende-lhe a idéia de que podendo comprar tudo e a todos  obteria a real felicidade que procurava, e só assim a vida lhe traria o verdadeiro sentido.
Pois bem, você tem mãos e pés,
cabeça e artes inteiramente suas;
se posso encontrar prazer nas coisas,
isso por acaso as torna menos minhas?
Se eu posso comprar seis cavalos,
a força deles não se tornará minha?
Posso correr com eles, e ser um verdadeiro homem,
como se suas dúzias de patas fossem minhas.

Mas sem esperar Fausto encontra o verdadediro amor, na pessoa de Margarida, um amor que não se gaba, não se ufana, que se sacrifica, e que trará o verdadeiro sentido da VIDA.Mas Fausto já entregou sua alma, e por mais que tente se desvencilhar de seu acordo,não consegue e se cumpre seu destino e sua escolha pelos prazeres materias, tem um preço alto a se pagar.



Nesta Obra prima, vemos como a entrega aos valores materialistas leva o homem ao distanciamento de seu real destino de felicidade, que não se encontra no mundo da matéria.
Johann Wolfgang von Goethe, escritor alemão nascido em 1749, foi um dos mais importantes romantistas da humanidade, tendo sua obra Fausto, influenciado, vários romancistas posteriormente. Fiquemos  com a reflexão que nos propõe este gênio da humanidade.