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domingo, 6 de julho de 2014

A parábola do Amigo à meia-noite Lucas 11:5-8

 
 
 



 
11:5 E disse-lhes: Qual de vós terá um amigo, irá até ele à meia-noite, e lhe dirá: Amigo, empresta-me três pães, 11:6 visto que um amigo meu veio da estrada até mim e não tenho o que lhe apresentar. 11:7 E aquele de dentro, em resposta, disser: Não  me dês trabalho, a porta já está fechada, meus filhinhos estão na cama comigo. Não posso levantar-me para dar [os pães] a ti. 11: 8 Eu vos digo: Ainda que não se levante para lhe dar por ser seu amigo, se levantará para lhe dar o quanto necessita, pelo menos por causa da sua desonra.         
                  
  *Tradução: Dias, Haroldo Dutra - O Novo Testamento - 1º edição - FEB, Brasília, 2013 
 
 
 

 
 


Baixe o áudio do Pod Amar 6 no link:




 
Neste episódio do Pod amar estudaremos a parábola que é tradicionalmente conhecida como a parábola do amigo importuno ou inoportuno para melhor compreendermos os ensinos de Jesus. Por muitos séculos a tradição religiosa cristã interpretou esta passagem como um ensinamento de orar até se obter a graça pedida a Deus, mesmo que a primeira resposta Divina seja não. O biblista Herbert Lockyer, em seu livro ´´Todas as parábolas da Bíblia``, vai mais longe e nos diz que não devemos querer ver mais do que Jesus quis mostrar com a parábola, e que o amigo teve que ser molestado para dar o que o outro precisava. Mas será que as orações de seus filhos molestam a Deus? É claro que não. Esta abordagem tradicional está em desacordo com os ensinos do Cristo, por isso através da correta tradução do texto e estudando as tradições e costumes judaicos do 1º século tentaremos entender melhor os ensinos do nosso Salvador. A palavra grega ´´anaideia`` tradicionalmente foi traduzida ou como importunação ou como persistência, por isso esta interpretação da parábola se tornou tradicional, mas os teólogos mais modernos nos afirmam que a verdadeira tradução para anaideia é sem vergonha ou sem honra, já que é formada pelo radical ´´aydos`` que significa vergonha com o prefixo ´´an``, que tem o sentido de negação. Kenneth Bailey em seu livro ´´ As parábolas de Lucas`` nos afirma que em todos os autores gregos antigos até os mais modernos anaideia tem o significado de sem vergonha ou impudente, até os autores não gregos antigos como Flávio Josefo usam esta palavra com este significado. Mas além da correta tradução, temos que entender um pouco sobre os costumes daquele povo. Jesus nos conta uma estória de um homem que recebe outro que vem de viagem, portanto esta parábola trata do sagrado dever de hospitalidade do povo oriental. Receber peregrinos e dar-lhes hospedagem era um dever sagrado, pois desta forma é que se demostrava a Deus que se amava o próximo, através da acolhida do outro, do diferente se vivia este mandamento. Gary M. Burge , autor do livro Jesus o contador de história do oriente médio, nos conta em seu livro que em viagem foi hospedado em um acampamento oriental em uma cabana que possuía um tapete onde estava dormindo um bebê, enquanto os outros familiares dormiam no chão, só por ele ser hóspede retiraram a criança do tapete e deram pra ele. Mas o contrário, se maltratar ou se recusar a dar hospedagem a um viajante naquela época, era considerado um insulto seríssimo e está retratado tanto no Novo como no Antigo Testamento. Em Gênese 18 e 19 vemos Abraão e Ló demonstrando como deveria ser a hospitalidade do hebreu, ambos recebem os visitantes com água para os pés, um banquete com carne e pães ázimos. Mas os cidadãos de Sodoma, cidade de Ló, queriam violentar os viajantes, por isso que os estudiosos da atualidade nos falam que a destruição de Sodoma e Gomorra são histórias que representam uma lição para que o povo não fosse violento, não praticasse a agressão e o estupro ou violência sexual entre se e os peregrinos que chegavam a suas aldeias, porque isso levaria a destruição. Já no Novo Testamento , no Evangelho de Lucas capítulo 9, vemos João Evangelista, o discípulo mais jovem e mais amoroso de Cristo, pedir que Jesus desça fogo dos céus sobre toda uma aldeia de Samaritanos porque estes se recusaram a dar hospedagem a eles , só porque eram Judeus e viajavam para Jerusalém. Mas Jesus o repreende e diz-lhe que veio pra Salvar e não pra destruir. Entendemos a indignação do discípulo porque a ofensa foi grave e a responsabilidade de hospedar era de toda a comunidade, por isso que o costume ao se despedir de um viajante nesta cultura  é dizer: Você honrou minha aldeia com sua presença. Também vimos que ao se hospedar, devia-se oferecer uma refeição, de preferência a melhor possível. Por isso que o hospedeiro da parábola de Jesus sai a meia-noite para pedir pão emprestado ao amigo vizinho, isto não quer dizer que ele não tinha comida ou pão em sua casa, mas que oferecer um pedaço de pão partido que sobrara de uma refeição anterior seria um insulto, e como o oriental costumava assar pão pra uma semana no forno comunitário da aldeia e as mulheres cooperavam entre se nesta tarefa, todos sabiam quem tinha feito pão recentemente. Por isso que os Teólogos mais modernos defendem que as desculpas dadas para não se atender um dever de honra para a comunidade , que era dar boa hospitalidade , eram desculpas  ridículas, e que quem não cumprisse este mandamento traria desonra a toda a comunidade. Para o oriental afastar-se dos costumes levaria a vergonha ou desonra, por isso pra evitar a vergonha ou a desonra é que Jesus garante que mesmo que não seja por amizade, mesmo que seja tarde da noite, o vizinho irá se levantar e cumprirá seu dever e oferecerá tudo que for necessário ao hospedeiro. Portanto irmãos, a história oriental contada pelo nosso Mestre Jesus não se trata de orar insistentemente para bajular Deus até se conseguir o atendimento do pedido, mais sim de uma história de um homem honrado que cumpre seus deveres e se um homem é capaz de agir para socorrer o outro, logo imagine se Deus que é infinitamente bom e amoroso não ouviria as orações de seus filhos e não lhes atenderia as súplicas. Por isso , queridos tenham certeza que Deus ouve todas as orações e as atendem sempre com o que é melhor para os seus filhos, mas isso pode significar muitas vezes não atender nossos pedidos, mas a resposta sempre vem com o que nós precisamos, por isso o Messias termina a parábola afirmando que o hospedeiro conseguiu tudo o que necessitava , e assim ele exemplificou a ação de Deus na nossa vida, sempre nos socorrendo nas nossas necessidades. Amém, meus irmãos! Para mais detalhes recomendo baixar e ouvir o pod amar 6. E se gostar divulgue com os amigos e familiares, pois não há presente mais precioso que a Boa Nova de Deus! Também estamos esperando sua participação, escreva no blog ou no twiiter, seja críticas, aponte erros, sugestões e tudo que quiser para assim crescermos todos para Deus!
 
 
Agradecimentos do episódio:
 
Obrigado a irmã Aíla Pinheiro de Andrade e as irmãs da comunidade Nova Jerusalém pelos conhecimentos compartilhados para o episódio e sugerimos a todos que gostem de teologia e dos costumes judaicos, sigam irmã Aíla e as irmãs Nova Jerusalém nas redes sociais.
Os contatos são:
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Pensamento do episódio:
 
´´Nenhum homem tem o dever de ser rico ou grande ou sábio, mas todos tem o dever de serem honrados``             Rudyard Kipling
 
Passagens bíblicas citadas no Pod amar 6:
 
Lucas 9:54
Gênesis 19 e 18
Lucas 11:11
Lucas 14:5
Lucas 15:4
Lucas 17:7
Lucas 18:1-8
Mateus 6:8
Mateus 6:10
Mateus 26:39
 
Ilustração do Pod amar 6:
 
Pintura: Importunate neighbour 1895
Pintor: William Holman Hut
Acervo da National Gallery of Victoria
 
Músicas do episódio Pod amar 6:
 
Canção: I can only imagine
Banda: Casting Crowns
Fundo musical: 1) Naquele tempo
Compositor: Pixinguinha
                          2) Jesus, Alegria dos homens
Compositor: Johann Sebastian Bach