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domingo, 22 de setembro de 2013

O Grande Mandamento Mt 22:34-40 Mc 12:28-34 Lc 10:25-37

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.
Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo.
Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão;
E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;
E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu te pagarei quando voltar.
Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.(Lucas 10:25-37)
 
 
 
 

 
 
 
Baixe o áudio do Pod Amar 4 no link:
 
 
 
 
 
 

 Neste Pod Amar vamos refletir sobre um dos pilares do ensino do nosso Salvador Jesus de Nazaré. Pois nos revelou o Messias divino que é através da lei do Amor que nos chegamos a Deus. Nos 3 evangelhos sinóticos lemos que Cristo Jesus em discursão com fariseus nos afirma que devemos Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a se mesmo. Mas no evangelho de Lucas vemos uma discursão mais profunda, porque o Doutor da Lei pergunta ao amado Mestre o que fazer para herdar a vida eterna. Tentava o fariseu iniciar um discursão sobre a interpretação da Lei e assim poder acusar o Cristo como pregador contra Moisés e seus mandamentos, podendo assim desmoralizá-lo e acusa-lo de blasfêmia, mas Jesus sabendo a intenção do religioso responde devolvendo com 2 outras perguntas : ´´que diz a Lei?`` e ´´como a lês?`` Dessa forma quem queria testar passa a ser testado. Mas o Doutor era um homem muito inteligente e instruído, pois responde resumindo 1500 anos de discursões religiosos entre os sábios Judeus  desde Moisés ao Cristo em 2 versículos: Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18. Jesus concorda com a resposta e diz-lhe:  ´´Respondeste bem; faze isso, e viverás.`` A tentativa de testar Jesus falhara, o doutor da lei foi derrotado muito facilmente, por isso ele tenta novamente iniciar uma discursão com o Cristo com a pergunta:´´quem é o meu próximo?`` Qual doutrina Jesus defenderia? Sabe-se  pela tradição oral da interpretação da Torah discutida por gerações de sábios rabinos e que foi escrito no Talmud, que nesta época haviam 2 escolas de Tanaim(mestres da lei que formavam novos mestres, taná em aramaico significa ´´aquele que estuda``). Essas escolas eram as de Hillel, o ancião( Bet Hillel) e Shamai( Bet Shamai), que divergiam na interpretação das escrituras sagradas, já que Shamai defendia uma interpretação mais rigorosa e retrita da lei, enquanto Hillel era mais liberal na interpretação. Portanto para Shamai era considerado próximo apenas os indivíduos da mesma família, da mesma seita e da mesma nação(raça). Já para Hillel ele considerava toda a humanidade criados por Deus e vindo da mesma descendência, por isso todos deviam ser considerados como próximo ou irmão. Era essa a discursão que o doutor da lei queria provocar, qual escola Jesus iria defender? Mas o Cristo não era de discursões teóricas e parte para um exemplo prático contando a parábola do bom samaritano. Nesta estória vemos um homem que vinha de Jerusalém até Jericó, uma estrada conhecida na época como muito perigosa. Neste ambiente o viajante cai na mão de assaltantes , é despojado de seus bens e roupa, muito agredido, e deixado desacordado quase morto na estrada. Mas porque Cristo Jesus entra em tantos detalhes sobre o que aconteceu e como ficou o homem. Sabemos que na Palestina do 1º século as várias comunidades que habitavam esta região eram identificadas pelas roupas que usavam, pelas características raciais, e pela língua que falavam, mas o viajante foi roubado e levaram suas roupas, foi agredido com grande violência ficando ensanguentado e desfigurado, e deixado quase morto e desacordado, portanto irmãos, não dava para saber quem era esse homem , sua nação ou religião, Jesus no início da estória também não o identificou, por isso não da pra saber, a única coisa que o mestre quer nos passar é que era um ser humano com grande necessidade. Daí passam pela estrada dois religiosos, um sacerdote e um levita, mas ambos não socorrem o ferido e passam de largo. Estes religiosos conheciam os mandamentos de ajudar o semelhante, mas também sabiam da proibição mosaica de entrar em contato com os mortos e do difícil ritual que se teria que passar para se purificar novamente. Vemos esta ordenança em Números 19:11-22:
 
Aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias.
Ao terceiro dia se purificará com aquela água, e ao sétimo dia será limpo; mas, se ao terceiro dia se não purificar, não será limpo ao sétimo dia.
Todo aquele que tocar em algum morto, cadáver de algum homem, e não se purificar, contamina o tabernáculo do Senhor; e aquela pessoa será extirpada de Israel; porque a água da separação não foi espargida sobre ele, imundo será; está nele ainda a sua imundícia.
Esta é a lei, quando morrer algum homem em alguma tenda, todo aquele que entrar naquela tenda, e todo aquele que nela estiver, será imundo sete dias.
Também todo o vaso aberto, sobre o qual não houver pano atado, será imundo.
E todo aquele que sobre a face do campo tocar em alguém que for morto pela espada, ou em outro morto ou nos ossos de algum homem, ou numa sepultura, será imundo sete dias.
Para um imundo, pois, tomarão da cinza da queima da expiação, e sobre ela colocarão água corrente num vaso.
E um homem limpo tomará hissopo, e o molhará naquela água, e a espargirá sobre aquela tenda, e sobre todos os móveis, e sobre as pessoas que ali estiverem, como também sobre aquele que tocar os ossos, ou em alguém que foi morto, ou que faleceu, ou numa sepultura.
E o limpo ao terceiro e sétimo dia espargirá sobre o imundo; e ao sétimo dia o purificará; e lavará as suas vestes, e se banhará na água, e à tarde será limpo.
Porém o que for imundo, e se não purificar, do meio da congregação será ele extirpado; porquanto contaminou o santuário do Senhor; água de separação sobre ele não foi espargida; imundo é.
Isto lhes será por estatuto perpétuo; e o que espargir a água da separação lavará as suas vestes; e o que tocar a água da separação será imundo até à tarde,
E tudo o que tocar o imundo também será imundo; e a pessoa que o tocar será imunda até à tarde.(Números 19:11-22)
 
Vemos que até através das parábolas, Jesus chama a atenção para a religiosidade vazia e egoísta, que prefere as comodidades do mundo ao sacrifício de ajudar os outros. Até que passa pelo caminho, um samaritano e vê o homem ferido e compadece-se dele, e planeja como socorre-lo e põe  em prática banhando suas feridas com vinho e azeite, passando ataduras e levando-o em seu animal de carga até uma hospedaria onde continuou a cuidar dele. No outro dia como não podia adiar a viagem deixa 2 denários (valor de 1 dia de trabalho de um homem na época) dizendo que cuidassem do desconhecido e cobrissem todas as despesas com ele, mas na volta pagaria mais se fosse preciso. Estas ações representam a prática dos ensinamentos que na cultura judaica era chamado de Shemá.(para maiores detalhes ouça o pod amar). E o Cristo exemplifica com um samaritano, povo inimigo dos judeus, pondo em prática os ensinamentos dos sábios judeus, enquanto os religiosos não. Se pudéssemos ver a reação do Doutor da lei, este estaria pálido, porque entendera o ensinamento de Jesus, tinha muita sabedoria mas era incapaz de amar, tanto que quando o Mestre divino pergunta-lhe: ´´Qual desses 3 tornou-se o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?`` Este não consegue pronunciar que foi o samaritano, mas respondeu corretamente: ´´O que praticou de misericórdia com ele``. E por fim , disse-lhe Jesus: Vai e faze tu do mesmo modo.
Mesmo sem saber as referências e as tradições judaicas, que nos ajudam a compreender os detalhes da estória, entende-se que a moral de Jesus pode ser resumida no amor e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que queres que vos façam; amai os vossos inimigos; restitui o mal com o bem; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e amor, eis o que não para de recomendar e dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. Na parábola do samaritano, Cristo Jesus, relata com bastante clareza a importância de por em prática o amor ao próximo, através do socorro de suas necessidades de acordo com nossas capacidades de ação, não valoriza como condição de salvação a prática de atividades exteriores, já que põe o samaritano, considerado herético na sua época, mas que pratica o amor ao próximo, acima dos religiosos ortodoxos que faltam com a caridade.
Também vemos estes princípios na passagem de Mateus 22:34-40 : ´´E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.``
E, para que não haja erro sobre o significado do amor de Deus e do próximo, acrescenta: "E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro" , isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que fazê-lo contra Deus. E tudo que se faça em favor do próximo, é o mesmo que fazê-lo em favor de Deus. Amém, meus irmãos!!!
 
 
 
Realização: Sérgio Chaves
Blog: O homem e seu tempo...
Podcast: Pod Amar 4
Citações - Textos Bíblicos:
Lucas 10:25-35
Mateus 22:34-40
Marcos 12:28-34
Mateus 5:17-18
1º Coríntios 13:9
Deuteronômio 6:4-9
Apocalipse 15:1
Números 19:11-22
1º João 4:20
             - Talmud
Sukkot 42
Berachot 13
Música de abertura e encerramento:
Amar como Jesus amou
Cantor: Pe. Zezinho
Fundo musical:
Santo (instrumental)
Banda: Harpa Cristâ
Ilustração:
Pintura: O bom samaritano(após Delacroix)
Ano:1890
Pintor: Vincent Van Gogh
Van Gogh Museum - Amsterdam